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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Post encomendado

"Tempo: Um feriado qualquer de um ano qualquer.
Espaço: Uma noite qualquer numa cidade qualquer. De praia.
Situação: Um grupo de pessoas qualquer espera do lado de fora do teatro um grupo de artistas (que não pode ser qualquer) que acaba de se apresentar.

APRESENTAR - No dicionário, alguma das definições
1) Expor
2) Mostrar, oferecer à vista
3) Exibir
4) Pôr na presença de

Essa é uma história de muitas apresentações.

Ele havia se apresentado para ela, mesmo que sem saber. De cima do palco, as luzes ofuscam um pouco a visão, e a plateia nada mais é do que um mar à noite. Breu. De onde ela estava sentada, na lateral, ela via somente o perfil dele e ouvia as bobagens que ele falava. Se divertia.

Fim do espetáculo, descendo os degraus da porta do teatro, ele foi apresentado ao sorriso dela. Um infinito de milésimo de segundo, tão rápido que ninguém percebeu sua pausa no meio de tanto movimento, mas para ele, tão lento, que sua mente teve tempo o suficiente para fotografá-lo na memória.

Eles não foram devidamente apresentados, com aperto de mãos e beijinhos nas laterais do rosto(na cidade dele, normalmente dois, na dela, apenas um), o que foi ótimo por não causar desconforto a nenhuma das partes, já que ele poderia parecer atirado demais e ela tímida demais. E nenhuma das duas coisas era verdade.

Tempo: Algumas horas depois.
Espaço: Uma pizzaria qualquer.
Situação: Conversa qualquer.

"Senta! Eu não gosto de conversar sentada com uma pessoa que está em pé! Me dá nervoso!"
Ele se senta em frente a ela por dois minutos. Faz o máximo para ser agradável e gentil, e ela percebe isso.
Ela não é apresentada ao prazer de estar em sua companhia, pois uma suposta namorada bate o pé bem irritada e diz que vai embora. E ele vai junto.

Ela, incomodada.

(...)

Tempo: Na semana seguinte.
Espaço: Ela na cidade dela. Sem praia. Ele na dele. Com praia.
Situação: Comunicação via internet.

Foram apresentados. Ainda bem que pela internet não existem essas coisas de dois ou um beijinho. Ele não parece atirado demais e ela não parece tímida demais, e eles se dão bem. Conversam sobre trabalho, e a propósito, a moça daquele dia não era namorada dele.

(...)

Tempo: Nas semanas seguintes.
Espaço: Ela na cidade dela. Sem praia. Ele na dele. Com praia.
Situação: Muitas horas de comunicação via internet, sms e telefone.

Eles se parecem em quase tudo. Se divertem juntos, dividem e compartilham o cotidiano, o que acontece de bom e de mau.
Todos os dias.
Eles já gostam assim sem nem perceber. Naturalmente, como se tivesse que ser assim e pronto. Não foi combinado, não é regrado, não tem jogo e nem explicação. É.

(...)

Tempo: Breve. O que não chega nunca.
Espaço: Na cidade dela. Sem praia.
Situação: Um novo encontro.

Finalmente, eles serão apresentados. Na cidade dela, um beijinho. Pelas contas dele, :***************************************************************************..."


Atendendo a pedidos, essa é só mais uma história de "quando a vida tá meio parada e aí ela nos apresenta pessoas legais. (digdin)"

Ass: Bella Marcatti

sábado, 4 de junho de 2011

Impressões de uma terapia.

Trilha sonora para mim mesma: "Alone Apart" - Marketa Irglova e Glen Hansard

Um osso de galinha entalado na minha garganta. Bebo água, boto água pra fora através dos olhos, me irrito, grito, sinto o peito e o mundo sufocados porque o ar não pode passar tão livremente. O ar de dentro não sai e o de fora não entra. Me sinto um balão de festa de criança. Sempre gostei mais dos balões de gás hélio, mas esse eu jamais poderia ser pois se você solta esse, ele voa. E neste momento, voar é a última coisa que eu poderia fazer. Infelizmente. Fico tão nervosa que me esqueço de que garganta serve pra falar, e se tá entalado aí é porque tem palavra querendo sair e não está conseguindo. Então procuro ouvidos. Ombros. Braços. Telas. Caracteres. Fotinhas tão pequenas que nem é possível ver os olhos de quem é. Procuro lugares que possam me escutar de alguma maneira. Falar pra mim mesma não parece ser bom. A gente sempre procura a gente no outro, mesmo sabendo que as pessoas são diferentes. Isso porque qualquer identificação já é um alívio, um respiro, uma mínima certeza de que não se está sozinho no mundo com aquele problemão. Mesmo que não se resolva, alguém também tem, e a dor parece um pouco menor.

Mas é mentira. As pessoas são egoístas e cada um tem a sua dor. Pode ser a mesma, mas não é igual. E falar pra quem só escuta pela metade não adianta muito. A metade que saiu não foi bem recebida do lado de fora, acabou voltando como criança quando sente medo de madrugada e vai pra cama dos pais... e fez confusão com a parte que ficou... O osso de galinha continua aqui, e eu só não arrisco dizer que ele aumentou porque senão eu teria morrido sufocada e não estaria aqui agora. E vocês não acreditariam.

Mas sabe. existem pessoas que estudam para ouvir 100%. São os ouvidos mais atentos do mundo, e estão diretamentes ligados a um cérebro magnífico que ao receber informações da minha vida é capaz de simplificar toda a minha confusão (porque não é o meu próprio cérebro, obviamente), e mandar pela boca palavras de (des)conforto que me fazem sentir melhor. Por apenas alguns muitos dinheiros. E eu resolvo falar as palavras engasgadas para os ouvidos 100%. Começo falando baixo, um pouco tímida, as palavras se espremendo entre o ar e o osso de galinha, saindo meio tortas e cansadas. Quase não acreditando que estão sendo libertas, meio desconfiadas, ressabiadas, fazendo rodeios. Não sabem ao certo pra quem estão indo, se misturam nas mãos agitadas trocando o anel de dedo em dedo, arrumando a franja já arrumada, colocando o cabelo atrás da orelha, mexendo na casquinha do brinco que tá inflamando a orelha, puxando fiozinho da blusa, se misturam nas pernas fortemente cruzadas. São soltas e jogadas para alguém que realmente as escuta, e aos poucos as outras vão sentindo vontade de sair também, pois também querem ser ouvidas. E as outras, as outras, as outras... Nessa hora as palavras da garganta já liberaram o espaço e o ar passa livremente, de dentro pro mundo, do mundo pra dentro. Existe ar do lado de fora, e é tão puro, e é tão bom. Balão de gás hélio. E sobe, sobe, sobe... E quanto mais alto, mais leve, pois as palavras estão saindo e tirando todo o peso. Palavras que estavam guardadas em tantos lugares, onde nem eu mesma sabia que existiam. E falo falo falo falo falo...


Mas também escuto. Verdadeiras porradas. Coisas que me fazem parar por três segundos num sorriso amarelo, numa reflexão tão profunda que sou capaz de viajar no meu universo inteiro e voltar com outra visão completamente diferenciada de tudo o que eu acabei de falar. E é simples assim como parece. Simples e dolorido assim. Dolorido porque descubro que se a minha vida fosse um filme num daqueles rolos de cinema antigo e você resolvesse projetar numa parede qualquer, você veria um filme em sua maioria preto e branco, totalmente mudo, e em algum determinado momento (ainda do início) a película embolaria e não daria pra ver o resto. A única pessoa interessada em ver o resto sou eu, portanto o trabalho de desembolar e consertar pra não embolar de novo é todo e puramente meu. Paciência, cuidado, organização do enredo, das datas, dos fatos, dos sentimentos de cada cena. E sem deixar romper para que o filme não fique pela metade pra sempre. O interesse é meu de ver esse filme terminando em um final feliz, colorido e com a trilha sonora que eu gosto.


Ass: Bella Marcatti

sábado, 23 de abril de 2011

Feriado...

É feriado e as pessoas se divertem nos feriados. Elas viajam, encontram com as pessoas que gostam e não podem encontrar na correria dos dias úteis, se sentem felizes ao poderem abrir uma cerveja numa quinta feira à tarde, conseguem realmente esquecer dos problemas e das dificuldades da rotina e realmente descansam, se permitindo passar uma tarde toda de pernas pro ar. As pessoas são assim.

Não lembro qual foi o último feriado que fiz isso. Quando chegam os dias inúteis eu me comporto como uma perfeita inútil, me permitindo ficar em casa de pijama deitada olhando pro tempo, pro computador ou pra televisão. Eu tenho feito isso, exatamente isso, em todos os meus dias inúteis, com a desculpa de estar cansada, trabalhando demais, querendo ficar quieta no meu canto. E nesse feriado não foi nada diferente. Todos viajaram, inventaram suas maneiras de aproveitar os dias de folga, e eu acabei ficando em casa sozinha.

Confesso: dessa vez eu não estava tão cansada. Aí parei pra me perguntar porque então eu resolvi ficar em casa dessa vez... e eu não consegui me responder. Talvez seja pra me poupar pela quantidade de trabalho que virá na próxima semana. Talvez seja pra tentar organizar as minhas ideias a respeito do meu trabalho, ideias essas que estão fervilhando todo o tempo, 24h por dia. Talvez seja porque eu não tive convite pra nada. Talvez seja pra me isolar (mais um pouco) desse mundo que a cada dia me deixa mais deslocada.

Reflexão vazia e sem muito sentido, ou completamente cheia de sentido, mas ainda assim vazia: Será que o mundo me deixa deslocada ou sou eu que estou me deslocando do mundo!?

O meu apartamento dessa vez está muito pequeno, as músicas altas não têm tanta graça e os programas da TV só me prendem por alguns instantes. Não tô com paciência pra internet e os assuntos (ou os não assuntos) das pessoas. Não achei legal comer miojo e chocolate o dia todo e estou com medo de dormir aqui sozinha numa casa gigantesca como a minha fica de madrugada. Tomo banho de porta fechada e trancada, deixando a luz do corredor acesa, e durmo com a porta do quarto fechada para ninguém entrar, mesmo sabendo que tem gente me olhando o tempo todo.

Eu só queria que o feriado acabasse logo. Tá chato.

Hoje já é segunda feira?

E agora?
...
...
...



E agora?







Ass: Bella Marcatti.