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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pra entender...

Dias muito reflexivos. Pensando, pensando, fazendo links da realidade com sonhos meus, de acontecimentos recentes com falas do passado, com planos pro futuro, coincidências, destinos, fritações, dias muito reflexivos.

Tudo começa na viagem para o Hotel Fazenda. "Tudo" na verdade não, as coisas começaram muito antes dessa viagem, mas eu tô pegando ela como ponto inicial. A viagem foi pra apresentar num evento grande que tava tendo nesse hotel fazenda. Na ida, dentro da van, todo mundo conversava e eu não. Eu estava ouvindo música com fones de ouvido, olhando pro lado de fora da janela. Uma paradinha pra beber água e uma pessoa com energia boa me perguntou o que tava rolando no meu MP4. Falei o nome das bandas, completamente desconhecidas pra ele. E foi isso. Foi esse momento. Essa quebra do gelo e eu desliguei o MP4 e comecei a conversar com todo mundo numa boa na maior animação... e assim foi até chegar no nosso destino.

Hotel Fazenda é uma coisa muito linda né. Que vista, que paz, que natureza. Era fim de tarde e o sol estava se pondo. Tinha uma lua muito linda, e apenas uma estrela muito grande próxima a ela. O céu estava azul escuro com laranja, combinação perfeita de tons. O cenário perfeito. Deus estava ali, como em todos os lugares, mas ALI ele tava olhando pra mim, porque eu tava olhando pra ele. Vale lembrar que celular pega no Hotel Fazenda. E recebe mensagens. E manda. Mesmo as erradas. Erradas de conteúdo ou de hora ou de remetente ou destinatário. Mensagens erradas enfim. Pensamentos errados afins. Eu volto pra casa na van falando que nem um papagaio, contando pra todo mundo meus casos de amor como se já tivesse vivido uma vida inteira de tanto amor, mas tanto amor que... como se não fosse mais possível existir amor nessa minha vida inteira que ainda tenho pela frente. E vale lembrar que na minha casa pega celular. E recebe mensagens. E manda. Mesmo as certas. Certas de conteúdo, de remetente e destinatário, erradas de hora. Mensagens enfim. Pensamentos confusos assim.

Eu acordo com raiva e seguimos pra cidade do interior para apresentar no cinema desativado. E viajo dentro da van falando que nem um papagaio, mas dessa vez também ouvindo os casos e conselhos de amor do homem forte por fora mas doce por dentro. E que surpresa quando um homem com as mãos calejadas de tanto trabalhar, com a barba por fazer e a pele oleosa se abre feito um botão de rosa na minha frente. Capaz de calar um mundo com a sua sabedoria. Sabedoria que ele adquiriu na vida. E tem o maior orgulho de contar que foi assim que ele aprendeu, na marra. E eu sinto orgulho de estar ali ouvindo as confissões daquela pessoa de nome engraçado. Não penso mais nisso. Eu preciso é de um colo amigo. E tenho. E abuso, porque amigo é pra essas coisas. Sanduíche número 2 também. E vale lembrar que na minha casa o celular pega. E chama. Mas não atende. São 4 da manhã, que falta de noção. Mal me conhece. Me conhece a vida inteira, mas tem um intervalo grande aí. Paris. Não, eu não vou começar de novo. Mas encuquei.

Eu não quero ficar em casa, mas não quero sair. Estou com raiva. Sonhei com quem eu não vejo há mais de quatro anos e nem sei o nome. Por que guardei essa fisionomia? Mas estou bem. Tudo isso me fez bem. Fico em casa. Melhor. Existe um vlog na internet capaz de mudar uma vida. A minha, no caso. Não ligo de me desconcentrar. Eu sei muito bem o que me espera. O que é pra ser e o que não é. 800 reais não me esperam, infelizmente, mas tá. Eu não sei ser sensual, nem na frente das câmeras, nem atrás delas. Uma carona só, não confunda, meu amigo. Obrigada. Ninguém tem nada com isso. Probleminha meu. Vale lembrar que celular pega na minha casa. Fodas, é como se estivesse desligado.

E a morte é uma coisa muito doida né. Está muito presente na minha vida ultimamente. Morte na vida é meio estranho, mas ah. Cê entendeu. O vô e a menina. Um programa de televisão. Um lugar de improvisação. Uma música. As conversas. Eu tô meio neurada com medo de morrer, mas e se eu morrer também, o que eu posso fazer? Pelo menos eu amei. E me aproximei, não da melhor forma, mas nessas horas quem se importa? A gente não sabe lidar com o fim. Seja lá qual for o fim, ou do que for, ou como se dá. Fim é fim e deixa vazio um pedaço que tinha coisa. Eu só quero que você fique bem, de verdade.

Pessoas vão e vem. Algumas passam simplesmente pra deixar alguma mensagem, alguma lição e vão embora. Outras ficam um tempo a mais. Outras ficam pra sempre. Não importa, a gente só sabe a missão dos outros depois que o tempo passa. Não dá pra ver o caminho enquanto se passa por ele, é só depois, quando olhamos pra trás. O que vale é que me agrada agora. Tanta gente boa ao mesmo tempo. Pessoas novas, pessoas velhas, do tipo que há muito não apareciam. Surpresa boa. Fazendo companhia. Me sinto querida, me sinto bonita, me sinto importante, legal, amiga. E isso me faz muito bem, num momento antes do "tudo" em que tava tudo bem mal.

Tenho falado comigo mesma em voz alta o dia todo. Hoje na rua eu me peguei falando "ai Jesus, que frio é esse..." e a mulher dobrando a esquina me olhou com uma cara de espanto, como se eu tivesse doida. Pode ser que eu esteja ficando doida, mas essa coisa de falar sozinha tem me feito bem. Aliás, a título de curiosidade, este post foi todo escrito e falado em voz alta ao mesmo tempo. Estou falando pra mim mesma, pra que eu escute mais a minha voz do que a voz dos outros. Acho que agora é importante olhar pra mim. Olhar pra mim, até porque hoje eu cortei o cabelo e tá bem legal. Apesar da novela que foi, da grana que eu gastei, da raiva que eu passei, o cabelo ficou bem modernoso. E eu tô curtindo. Olhar pra mim. Dá licença?

E vale lembrar que na minha casa pega celular. Mas no elevador não pega. E sem bateria ele não pega mesmo. E daí?

Desculpem a confusão, mas esse post não é pra ser entendido. É até melhor que não seja. Algumas pessoas vão entender. Já você, eu não sei... Já dizia aquela música do Engenheiros do Hawaii: "Pra entender... Pra entender... Nada disso é tudo, e tudo isso é fundamental..."


Ass: Bella Marcatti.

3 comentários:

Léo Castro disse...

"Pra entender,Basta a cara e a coragem, A cor, o corpo,o coração... Basta ver o que não se enxerga, O que só se enxerga nos olhos de uma mulher"

Texto Perfeito Bella, me impressiona muito a sua riqueza de detalhes, a sua sinceridade e como vc consegue transmitir os seus sentimentos com as palavras...
Fui lendo o texto e lembrando, da epoca da escola, fazendo uma prova aonde eu custava a interpretar os textos, mas curtia as palavras, gostava de perceber os sentimentos do autor, que misturava, desabafo, com poesia e um pouco de Loucura... Mistura perfeita, entender pra que? por que? pra quem? É seu, pra vc, por vc....

Pode ter certeza que ele estava la no Hotel fazenda, olhando pra vc, e que ele ta agora ao seu lado, olhando pra vc e que estara sempre, de onde quer que seja, olhando pra vc... Por vc, pra vc...

"Nada disso é tudo, tudo isso é fundamental"

Parabéns por mais um otimo post, e espero ansioso por um livro seu rss

bjos

Vilarino disse...

é vero... minha escritora favorita...

epifanias em meio a detalhes do cotidiano... (a lá clarice lispector...)
...da trivialidade surge algo denso, puro e profundo

Carlos Cazen disse...

Você escreve com muita emoção Bella. Essas histórias que você conta, esses encontros, desencontros, erros, acertos, acertos errados, erros certos, enfim, me lembraram uma música que eu ouço desde pequeno em casa. Sobre a música prefiro não comentar, ela diz por si só. É do Renato Teixeira, interpretada por Xangai:

http://www.youtube.com/watch?v=tYfBtTmDEsA